Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio.
Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com estrelas, preciso estar firmemente pousada sobre algo.
Abraços me seguram – e eu me agarro.
Tenho medo da falta de gravidade – solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.
Não me sinto à vontade onde o sol tem vergonha de entrar.
Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço para correr em linha reta. Ou permanecer sem susto.
Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, as melhores festas costumam acontecer dentro da minha própria casa.
Nada tenho a ver com o que é dos outros, seja roupa, gostos ou opiniões, não me escalo para histórias que não são minhas, não me envolvo com o que não me envolve. Não tomo emprestado e nem me empresto, se é caso sério eu me dôo, se é bobagem eu me abstenho.
Gosto da troca de olhares, da descoberta de afinidades, da conquista, do mistério, não tenho pressa, não tenho a necessidade urgente de paixões obrigatórias, forjada para si mesmo.
Sobra pouco de mim para intromissões no que me é ainda mais estranho do que eu mesma.
Nada tenho a ver com não gostar de mim – me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei.
Parte do meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, o amor que nunca esqueci, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei.
Tenho meu jeito próprio de ser alguém, em vez de simplesmente reproduzir os diversos jeitos coletivos de ser mais um.
Minto, tenho tudo a ver com explosões.
Estou perdidamente encantada pela versão dessa música, cada dia mais.








