Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

E.X.P.L.O.S.Õ.E.S

Não tenho nada a ver com explosões.
Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio.
Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com estrelas, preciso estar firmemente pousada sobre algo.
Abraços me seguram – e eu me agarro.
Tenho medo da falta de gravidade – solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.
Não me sinto à vontade onde o sol tem vergonha de entrar.
Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço para correr em linha reta. Ou permanecer sem susto.
Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, as melhores festas costumam acontecer dentro da minha própria casa.
Nada tenho a ver com o que é dos outros, seja roupa, gostos ou opiniões, não me escalo para histórias que não são minhas, não me envolvo com o que não me envolve. Não tomo emprestado e nem me empresto, se é caso sério eu me dôo, se é bobagem eu me abstenho.
Gosto da troca de olhares, da descoberta de afinidades, da conquista, do mistério, não tenho pressa, não tenho a necessidade urgente de paixões obrigatórias, forjada para si mesmo.
Sobra pouco de mim para intromissões no que me é ainda mais estranho do que eu mesma.
Nada tenho a ver com não gostar de mim – me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei.
Parte do meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, o amor que nunca esqueci, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei.
Tenho meu jeito próprio de ser alguém, em vez de simplesmente reproduzir os diversos jeitos coletivos de ser mais um.
Minto, tenho tudo a ver com explosões.
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É isso, É isto:




Estou perdidamente encantada pela versão dessa música, cada dia mais.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

F.E.L.I.C.I.D.A.D.E

Gosto de acordar tarde e dormir tarde, mas a madrugada não é o meu lugar, preciso de luz natural, não fotografo bem com flashes, não quero que me revelem, me escondo na claridade, onde todos aparecem.

Não sou tão entusiasmada que goste de axés e seus afins. É onde minha brasileirice se destoa, não sou de pular, jogar os braços pra cima. Até gosto de verde, mas amarelo, detesto.

Desenvolvi-me ao avesso, numa claridade interna, invisível para quem está de fora. De dia meu país de fato brilha, mas onde me reconheço é no silêncio, no aconchego de minha intimidade. Difícil ser brasileira sem fazer barulho, sendo agridoce e não salgada do mar. Fui de certa forma capturada, ganhei um greencard pra continuar no meu país sem precisar aderir ao ziriguidum e às festas do apê.

Não me importo mais com suas reações, nutro maior indiferença pelos seus aplausos.
Dane-se respeitável público, eleja quem quiseres, o voto é teu.
Tranquei-me a sete chaves e não vou lutar contra as tuas grades.

Felicidade é uma conquista, é até mais importante que a alegria.
Carnaval é alegria, deve ser por isso que só dure quatro dias.
Felicidade não é grito, não é pegadinha, não é pegação. Felicidade é caminhar e não correr, ter um pouco de noite no seu dia, e muito dia no seu sono. Felicidade é dar umas paradas a fim de ganhar tempo.

E assim é.

Nossos momentos felizes se dão, quase todos, na intimidade, quando ninguém está vendo.
Ninguém é tão feliz quanto aquele que lida bem com suas precariedades.

Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só se permitirmos.

A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

U.M

Um amor...

É o que uma pessoa necessita à noite.

 Eu te desapontei?

Ou deixei um gosto ruim em sua boca?

Você age como quem nunca teve um amor, e quer que eu continue sem nenhum.

 Nós somos um, mas não somos iguais.

Temos que carregar um ao outro.

 Veio para dar uma de Jesus?

Para os leprosos da sua cabeça?

 Eu te pedi demais, mais do que devia, e descobri que você não me deu nada, porque percebi que isso agora é tudo que tive.

 Nós ferimos um ao outro e estamos fazendo de novo.

 Não posso me agarrar ao que você tem, quando tudo que você é dor.

 Isto está ficando melhor? Isto facilitaria as coisas se você achasse alguém para culpar, e achou.

 Nós somos um, mas não somos iguais.

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 Continua o pedido abaixo...

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Mais uma vez, Obrigadíssima)

 

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Q.U.A.R.T.O


E dentro do quarto
Permaneci estática atenta apenas ao desenrolar da memória.
Não era difícil vê-lo ali, e ouvir seus passos vindo abrir a porta e ficar me olhando sem dizer nada, até que nos abraçássemos, como antigamente.

Movimento
meu corpo parado no meio do quarto para a cama, mergulhei minha cabeça nos lençóis desarrumados procurando uma espécie de calor.
Mas não choro
mesmo que de repente perceba um fio de cabelo (os cabelos dele caíam sempre).
Acreditávamos que um dia seriamos grande, embora aos poucos fossem nos bastando miúdas alegrias.
Era duro fingir
que éramos pessoas como as outras, mas nos cantos daquele quarto tínhamos sangue esperma, talvez febre.
Tudo passou
e é inútil continuar aqui, procurando o que não vou achar.Não me atrevo a mexer em coisas que eu possa encontrar seu nome, o nome que teve.
Então certifico-me de que
a vida é exatamente esta, a minha, e que não a troquei por nenhuma outra, de sonho.
Apenas fizemos parte
de um sonho sonhado por qualquer outra pessoa que não você, que não eu.
Do sonho.


ATENÇÃO:


Atualizei todos os visitantes do blog, caso o seu não esteja nos " Blogues Inteligentes", por favor me avise para poder linkar.

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Desde já, Obrigadíssima! )


________________________________________-_____E se eu morrer de amor, quem ________________________________pagará o enterro e as flores?
__________________________________________________________________________Vinícius de Moraes

Sábado, 18 de Abril de 2009

E.M - C.A.S.A


Alguma coisa me diz, e não consigo entender, mas me soa como um aviso de perigo:
Não entre – Não entre, mas eu não consigo entender enquanto seus olhos me fixam e saem palavras [in] compreensíveis entre seus dentes brancos.
...então, em relação ao ser que estamos no momento, a sorte está lançada, é ele que amaremos.
Não é sequer preciso que ele nos agrade, até então, mais do que ou mesmo tanto quanto outros. O que é preciso é que nosso encanto torne-se exclusivo.
O amor tem tanta necessidade de encontrar justificativas, uma garantia de duração em prazeres, e a minha realidade da qual por vezes duvido, e o preço, que em suma pago, é de tê-lo em casa tantas vezes quantas quisesse. E mesmo tendo a certeza de encontrá-lo quando quisesse, contarei o tempo que se passa acrescentando alguns segundos a todos os minutos para ter certeza de não tê-los diminuído, o que me levará a crer serem maiores do que na realidade são minhas chances de chegar cedo.
O que me importa se me diz que o amor é frágil, o meu é tão forte.

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

A.M.A.N.T.E.S


No quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade.
Havia apenas aquela tênue claridade que vinha da janela fechada, mais tarde a luz do outro dia, do dia dos outros, do dia distante.
Calçar os sapatos era como quem faz algo estranho, a água forte do chuveiro, a festa dos lençóis limpos.
O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós. O telefone tocava menos, a campainha da porta quase nunca.
Agora a vida era nós dois. Sabíamos estar condenados.
Os rivais, os inimigos, os invejosos, os outros, o resto, nos esperava para lançar seus olhares, dizer suas coisas, ferir com sua maldade ou sua tristeza o nosso mundo, nosso pequeno-grande mundo, nosso mundo de felicidade, de insônia, sonâmbulo, irrestrito, fechado...

_______... e tão louco
_______...e tão bobo
_______...e tão bom

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.Como nunca mais.
.Como nunca mais haverá.

...

A.V.I.S.O
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Está chegando a hora, breve trarei mais informações...

Livro no qual tenho dois textos inéditos...










Segunda-feira, 2 de Março de 2009

C.A.F.A.J.E.S.T.E




Ele me chamou pelo telefone. Não o vejo há seis meses, três anos juntos e agora sem te ver.
Pela voz ao telefone sei que está controlando uma emoção, querendo bancar o homem seguro de si, e fico insegura porque mesmo assim você consegue fingir solidez.
Mesmo sabendo dos perigos me arrumei toda para vê-lo, o vestido que ele gosta, uma calcinha nova por via das dúvidas...
Entrei pela porta que já estava entreaberta, entro e suspeito dos vestígios das outras mulheres que te freqüentam.
Quem terá jogado aquela almofada no chão? Alguma vagabunda comeu no chão, será?
Ele deve estar saindo com alguma petista, dura e querida.
Recebe-me sólido e filho-da-puta, e aos pouco vai me provar que é louco por mim, e eu sei que nem é tanto assim; um canalha de superioridade dos cafajestes felizes.
E de repente eu vi você de fora, antes eu vivia dentro de você.
E de repente eu parei de te amar, às seis e quinze em ponto de la manhã eu parei de te amar.
E, me faça um favor, diga para as mulheres que conhecer, que lá no fundo onde eu fui, é só escuro.
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A.V.I.S.O
Raríssimos, infelizmente meus últimos textos não tenho conseguido retribuir as visitas, mas essa semana, no máximo a próxima, irei retribuir e visitar todos os links indicados.
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É isso, É isto:



Esse vídeo foi enviado por um amigo muito querido, Carlos Filho.É em sua homenagem, porque eu A.D.O.R.E.I.

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

C.A.S.A N.O.V.A


Mesmo sem nunca ter encarado o seu rosto eu já sabia sem precisar tocá-lo. Estava ali desde muito tempo...
No começo não tinha voz para perguntar quem era, o que fazia, e, quando finalmente tive voz e tive movimentos, já não era mais necessário nenhuma pergunta, nenhuma curiosidade, sabia-o ali, tangível e remoto.
Eu não esquecia dele, em parte porque seria impossível esquecê-lo, em parte também, principalmente, porque não desejava isso. Por isso, às vezes, eu penso que talvez ele estivesse ali desde sempre, desde um começo que não se sabe quando começou.
Cresceu em mim de um jeito insuspeito, como se fosse uma semente e eu o plantasse esperando ver nascer uma planta qualquer, pequena. Em nenhum momento suspeitei nascer essa coisa enorme que me obrigou abrir todas as janelas, e depois todas as portas, para que você crescesse livremente.
...se isso que está acontecendo é loucura, quem enlouqueceu foi o real, não eu.
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É isso, É isto:

Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

M.E.U... A.N.O

Estamos na época da náusea existencial, causada por uma aguda consciência do significado de reflexão de o que fiz esse ano. O que não pode ser aliviado por um produto vendido em farmácia, um enorme comprimido quase do tamanho de uma moeda de 1 real e que dissolvido em água acaba com aquela espécie de azia provocada pelo excesso.


Por falar em excesso, esse ano pregou-se muito o amor; amor ou sexo?
Há uma diferença entre amor e sexo, mas qualquer um dos dois pode ser ótimo, e não importa qual será sua escolha, estará se divertindo de qualquer forma.

Os programas televisivos constaram que o universo está em expansão – o que pode significar que qualquer dia poderá explodir ou desaparecer. O que leva alguns homens concluírem que é melhor contentar-se em ser malcasados pela segunda vez e de quebra ter dois filhos chatos com sua primeira mulher, e ainda ser descontado todos os meses por issos, com a pensão-alimentícia.

Esse ano me proporcionei trivialidades gostosas, peguei uns cineminhas, fui jantar fora várias vezes, dancei muito, assisti a sessões-coruja e ainda dei umas espiadinhas nas ridículas celebridades do Amaury Junior.Claro que penei ao assistir guerras, ao presenciar a catástrofe de Santa Catarina,e ao freqüentar bares de solteiros.

Achei que conseguiria pagar o aluguel como os escritores de antigamente, umas teorias aqui, uns textos ali, uma frase brilhante de vez em quando e pronto; acreditem, isso pagava melhor do que um trabalho honesto em algum setor financeiro.

Mas o grande feito do ano foi eu ter entrado para uma escola de dança, e me tornei uma excelente dançarina, apesar de consultar um diagrama quando o ritmo era tango. Também resolvi terminar minhas aulas de tênis que comecei em 2000, o ano em que disseram que o mundo iria acabar, declaração essa que provocou desapontamento quando o sol raio na segunda-feira e todos tiveram que voltar ao trabalho.

Aprendi a dizer “ não” – era incapaz de dizer não até para um vendedor desesperado para fechar sua meta. Certa vez, nas vésperas do dia dos pais, comprei um kit de xampu e creme anticaspa para meu pai, mesmo ele sendo careca.

Exercitei minha paciência com meu avô, tendo que ouvi-lo a criticar constantemente a ciência, admitiu que ela derrotou várias doenças, que quebrou o código genético e até botou algumas pessoas na lua, mas insiste em dizer que são uns fracassados em relação a um homem de 80 anos sozinho em uma sala com duas garçonetes de 18 anos.

Não posso deixar de citar que tivemos um ano de eleições, e infelizmente nossos políticos são simpáticos, mas incompetentes e corruptos, às vezes ambas as coisas no mesmo dia.

Não quero deixar implícito com isso que a democracia não seja a melhor forma de governo. Numa democracia pelo menos os direitos dos cidadãos são respeitados, ninguém pode ser preso, torturado ou obrigado a assistir programas de auditórios do começo ao fim.

Em suma, parece claro que 2009 me reserva grandes oportunidades, mas também alguns perigos.O negócio é evitar esses perigos, aproveitar as oportunidades e chegar em casa às seis da tarde

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D.E.S.E.J.O.S
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.Eu tive um ano muito bom, inclusive nas partes ruins. Plantei muito em 2008 e 2009 será ano das minhas colheitas...
Passei uma temporada em Brasília e conheci tantas, mas tantas pessoas M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.A.S que permanecerão por muitos e muitos anos em minha vida.

Então, um feliz 2009 a todos!!!


É isso, É isto:


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